quinta-feira, 8 de abril de 2010

"Adultos em miniatura"





A mídia tem constantemente alertado para o fato de as crianças estarem, cada vez mais, se parecendo com “adultos em miniatura”. Recentemente foram publicados inúmeros artigos sobre o “estilo Suri”, que comporta até um salto-alto para uma criança de 3 anos. A revista Veja publicou uma reportagem muito boa entrevistando mães brasileiras que cultivavam em suas filhas o “estilo Suri de ser”: bolsinhas de grife famosas, roupas de estilistas renomados, uma coleção de saltinhos e por aí vai – e tudo isso para crianças de, no máximo, 6 anos. 

Em 2008, a revista Veja publicou outra reportagem também bastante interessante sobre a “pequena miss sunshine brasileira”, Natália Stangherlin, vencedora do concurso internacional de beleza mirim daquele ano. Nathália, na época com cinco anos, só saía de casa maquiada, tinha uma grande coleção de vestidos de festa e freqüentava o cabeleireiro desde os dois anos. Segundo sua mãe, Natália mesma pedia para refazer as luzes no cabelo (sempre com apliques para aumentar o volume) quando a raiz mais escura aparecia. A suposição de que a criança é um objeto da mãe, uma projeção de seus desejos, é confirmada pelo seu próprio depoimento, quando afirma que Natália é a sua “Barbie em tamanho grande” e que concretiza na filha os próprios sonhos de ser miss. Creio, porém, que não precisamos ir muito longe para constatar as projeções estéticas dos adultos sendo personificadas em seus filhos: quantas crianças de nosso convívio se parecem como pequenos adultos? É fato que toda criança quer ser como um adulto – e as brincadeiras de “faz de conta” que envolvem elementos do mundo adulto comprovam isso. Porém, isso não significa que devemos sucumbir aos desejos infantis (ou ver nesses desejos genuinamente infantis uma brecha para concretizar nossos próprios desejos) e transformá-las em “adultos em miniatura”. Cabe aos pais impor limites aos seus filhos para garantir que eles não pulem as etapas de desenvolvimento e possam crescer de maneira saudável. 

Se permitirmos/quisermos que as crianças se assemelhem a adultos, é claro que as aparências acabarão sendo somente o lado mais visível dessa semelhança – elas agirão também conforme adultos (porém sem possuir a capacidade de ponderação dos adultos). 

É pertinente observar, por exemplo, que diversos estudos apontam para a crescente tendência de redução da faixa etária de início de vida sexual. Uma pesquisa realizada na periferia de Caruaru (PE), anterior ao ano de 2003, revelou que 27,6% dos entrevistados tiveram a primeira relação sexual antes dos 13 anos. Já a Pesquisa Nacional em Demografia e Saúde, de 1996 (será que a realidade melhorou desde então?), mostrou um dado ainda mais alarmante: entre as grávidas atendidas pelo SUS no período de 1993 a 1998, houve aumento de 31% dos casos de meninas grávidas entre 10 e 14 anos (algo em torno de 3.000 meninas). Cabe ressaltar que o único índice que denotou aumento de fecundidade foi o das adolescentes. 

Entre os meninos, devido às dificuldades óbvias, não se tem muitas informações a respeito do percentual de adolescentes que são pais. Entretanto, a recente reportagem sobre um menino inglês que seria pai aos 13 anos de idade já dá uma idéia. Ao final, descobriu-se que ele não era, de fato, o pai da criança, mas com tudo o que temos observado, bem que poderia ser.




4 comentários:

  1. Com 13 anos eu brincava de Lego e Comandos em Ação... rs rs...

    Aliás, eu brinquei de Lego até uns 15 anos! Se tivesse tempo brincaria até hoje. rs

    Desde muito cedo, eu pelo menos, vejo os adultos incentivando certos comportamentos de "pequenos adultos" nas crianças. A criança fala palavrão, criança dá fora em adultos e todo mundo acha graça porque é precoce. A culpa, não é da criança, mas eu particularmente, não tenho o menor prazer de ficar perto de criança assim. Me tira a paciência. Criança tem que ser criança!

    Isso não quer dizer que precisamos trata-las como se tivesse feito lobotomia (escrevi certo?). Tem pai que é tão non-sense que parece um Teletabi.. rs rs.

    Nós temos problemas com o meio termo... Fato.

    Eu tenho uma raiva profunda da mãe dessa menina, Natália Stangherlin. Para mim o ministério público tinha entrar com uma ação para tirar a guarda dela. É monstruoso. E não estou falando só de aspectos psicológicos, éticos etc... Ela está deformando a menina! Esses produtos químicos são extremamente agressivos para crianças! Ela provavelmente vai desenvolver uma alergia a maquiagem pelo resto da vida. Não existe maquiagem infantil anti-alérgica para crianças de 3 ou 6 anos! Os saltos eu nem preciso comentar... E os dentes, os dentes foi o mais chocante para mim. A garota tem está trocando de dentes, então ela coloca dentes postiços no dentista.... precisa de mais algum argumento para dizer que essa mulher tem problemas? aliás, a família toda né... pq essa menina não deve ter pai, não é possível!

    revolta total... caraca rs.

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  2. hahaha

    Sobre a Natália Stangherlin e sua mãe, na reportagem da veja sobre elas tinha um quadrinho com uma entrevista muito interessante com o consultor da menina (que na verdade é um dos mais badalados do Brasil, o mesmo das misses Natálias adultas) e ele afirma que não existe beleza perfeita nata, "você sempre tem que dar uns retoques" (cirúrgicos, que fique bem claro). Aí vejo a foto da menina, leio as reportagens sobre a sua mãe e fico pensando... Será que a obsessão chegou a esse ponto?

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  3. É público e notório que a criança é um objeto da mãe, uma projeção dos seus desejos. É um tema muito interessante e atual, aliás há vários estudos no ramo da Psicologia em relação ao tema abordado.
    Criança é criança !
    É extremamente importante vivenciar a infância na sua plenitude. Não devemos "pular etapas". Atualmente a maioria das crianças parecem uns "robôs"...Games, computador, celular, brinquedos eletrônicos e por aí vai...Onde estão as brincadeiras infantis ? Foi realizada uma pesquisa em diversas escolas situadas em várias regiões do país, sobre o "infância em sua plenitude". O resultado foi impressionante ! Brincadeiras "de roda" ; "pular" amarelinha, cantigas de roda,"passar" o anel, adivinhações etc....Grande parte dos entrevistados JAMAIS participou de brincadeiras assim.. Alguns chegaram a ligar o computador com esperança de encontrar dentro da "máquina" a brincadeira sugerida ...rsrsrs.."Coisas de criança" ! rsrsrs
    É necessário resgatar brincadeiras infantis e tudo o que está relacionado à infância , para o "bem da humanidade".
    Impossível acreditar que uma criança com apenas 2 anos pense, deseje e inclusive saiba o que significa ir ao salão de beleza .
    Existe uma tendência por parte das mães em projetarem seus desejos de todas as espécies para seus filhos. A menina realmente é o objeto de um desejo não realizado de sua mãe. Sinceramente essa mãe deveria passar por um tratamento sério. Futuramente a menina sofrerá sérias consequências por ter "pulado" uma fase importantíssima...A INFÂNCIA ! A "base" do ser humano. Registro minha indignação referente à atitude dessa mãe.

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  4. E vale lembrar que algumas brincadeiras infantis são fundamentais não só para auxiliar o desenvolvimento psicomotor da criança como também para iniciar a socialização e a preparação para o desempenho de determinados papéis típicos da fase adulta - como os profissionais e familiares. Sendo assim, ao limitar as brincadeiras infantis a compras e comportamentos de embelezamento (além do uso do PC), para o quê essas crianças estão sendo preparadas?

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