quarta-feira, 16 de junho de 2010

Publicidade como manifestação artística engajada

Publicidades são persuasivas, publicidades são capitalistas, publicidades são estereotipantes,... Publicidades são manifestações artísticas? Publicidades são socialmente engajadas? Alguns publicitários afirmam que sim. Esse é o caso, por exemplo, de Oliviero Toscani, para quem publicidade é uma arte e, como toda arte, uma ferramenta transformadora da sociedade.
Toscani, em seu livro “A publicidade é um cadáver que nos sorri”, condena as publicidades clássicas, que não são feitas para serem arte. Toscani propõe um tribunal de Nuremberg contra as publicidades. Dentre as acusações, figura o “crime de inutilidade social”, pois suas campanhas não refletem sobre o papel social, público e educativo da empresa que representam. “A condição humana é inseparável do consumo; neste caso, por que a comunicação que o acompanha deveria ser superficial?”, questiona. E assim, nasceram as famosas, inovadoras e polêmicas campanhas de Toscani, que transformaram a marca Benetton mundialmente conhecida e respeitada.
Toscani afirma que as roupas da Benetton, de boa qualidade, de todas as cores, oferecidas em sete mil lojas pelo mundo, vendem-se por si mesmas. Ele não quer convencer o público a comprar pulôveres, mas sim a entrar em ressonância consigo mesmo a respeito de uma idéia filosófica que vai muito além do consumo. A idéia de Toscani não é vender a Benetton, é vender uma idéia através da Benetton. O consumidor deve guardar a marca através da mensagem que ela transmite.
Toscani foi além da simples preocupação com a utilização da linguagem artística com fins puramente estético em suas campanhas: transformou-as na concretização da sua visão de arte e da publicidade em si. A arte não é utilizada só como linguagem, mas como fim, como provocação da sociedade. Suas campanhas causaram e ainda causam polêmicas no mundo inteiro, convidando a sociedade para uma reflexão sobre diversas  questões que a cercam.

 Campanhas contra o racismo

A campanha do bebê branco sendo amamentado pela mulher negra apóia-se sobre a divisa da marca “United colors of Benetton”, servindo para incentivar o a miscigenação, o anti-racismo. Essa publicidade causou grande polêmico e chegou mesmo a ser boicotada em países com alto índice de racismo, como nos Estados Unidos e na África do Sul anterior ao Mandela. No entanto, ganhou vários prêmios internacionais. (1990)

Em 1990, surgem novas campanhas contra a intolerância racial. Bem aceitas e premiadas internacionalmente, apenas Milão não permitiu que os cartazes fossem publicados. A segunda foto foi lançada em painéis gigantes na África do Sul, durante o referendo que ia por fim ao apartheid. (1990-91)




Quem é o criminoso? (1990)



Campanhas contra a guerra

No dia em que estourou a guerra entre o Iraque e os Estados Unidos, a Benetton publicou a foto desse cemitério, chamando a atenção para o absurdo da guerra e promovendo um implícito apelo pela paz. A publicidade causou alvoroço em diversos jornais e revistas, como os da Itália, França, EUA, Alemanha, etc, que eram contra a veiculação desta publicidade, clamando por uma publicidade ingênua. (1991)


Após as diversas críticas a publicidade anterior, Toscani resolveu passar então a imagem oposta, ao invés de pessoas mortas, pessoas nascendo, simbolizando esperança em meio ao caos e a guerra. A publicidade foi novamente censurada em diversos meios, cidades e países. (1991)

Já que a menção a realidade incomodava, Toscani resolveu, então, usar imagens reais, tiradas por fotógrafos de campo. Escolheu sete para fazerem parte da nova campanha. Uma delas é uma mulher de luto chorando o filho assassinado pela Máfia, na Sicília. (1992)



A roupa de um soldado morto em combate na Bósnia. “Monumento a um soldado conhecido”, “questionamento sobre a violência e a morte institucionalizadas”. (1994)


Um pássaro viscoso de petróleo continuava a bater asas,na mesma posição de todos os pássaros do mundo.



HIV

Um doente terminal de AIDS, morrendo, acompanhado pelo pai até o último alento. (1992)



A idéia do cartaz subseqüente surgiu de uma reportagem onde mostrava um rapaz enjoado por que não se fazia nada para lutar contra a AIDS, tinha tatuado no braço a inscrição “HIV positivo”. (1993)



Pena de morte








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