sexta-feira, 24 de setembro de 2010

E o Oscar vai para ... "Lula, o filho do Brasil"?



Entre tantos filmes que poderiam oficialmente pleitear uma vaga na disputa do Oscar para melhor filme estrangeiro, eis que “Lula” é eleito pelo Ministério da Cultura. Não colocarei em questão o mérito do filme, pois não o vi e confesso que não tenho muito interesse em vê-lo. No entanto, não posso me abster de especular sobre os motivos para tal escolha. 

Pela primeira vez, o MinC abriu espaço para a população dar a sua opinião sobre qual deveria ser o filme brasileiro indicado para concorrer ao Oscar. Muito embora eu considere que democracia sem educação quase sempre gera consequências desastrosas para o próprio povo (vide a atual situação da nossa política), a iniciativa foi louvável. Ainda que a votação popular não tivesse o poder de decisão final, pelo menos abriu um espaço para o povo se manifestar sobre a questão - manifesto esse que deveria ser considerado pelos eleitores na votação oficial, segundo informações divulgadas pelo próprio MinC. Cheguei a cogitar seriamente que "Nosso lar" (outro filme que não vi) seria um forte candidato, dado o apelo do público. Mas que ingenuidade a minha! "Nosso lar" não teve nenhum votinho - e igualmente todos os outros 20 concorrentes. 

Uma votação unânime é sempre um fato curioso. Os seres humanos são tão diversos, com tantas idiossincrasias, que é difícil uma proposta agradar a todos (ainda que o grupo seja pequeno, como no caso do júri em questão). Somente propostas alternativas muito ruins ou ganhos grupais muito bons justificam tal ocorrência. Após uma rápida avaliação dos demais filmes que poderiam ser indicados ao Oscar a primeira alternativa cai por terra. Haviam outros filmes igualmente bons ou melhores ou muito melhores que "Lula". Já sobre a segunda hipótese... especulamos, certo? Brasil, Brasil... Este é o Brasil de Lula. 

Tudo bem que o Lula é uma personalidade política conhecida internacionalmente, mas indicar um filme sobre ele ao Oscar... É praticamente coroar um presidente – cujo (longo) governo teve muitos escândalos, como sabemos. 

Mas, como diz o ditado popular, “não adianta chorar pelo leite derramado”. Já foi, a votação já foi encerrada e o vencedor anunciado, resta-nos somente recolher os cacos. Provavelmente teremos que nos contentarmos mais uma vez em apenas sonharmos em figurar na lista de indicações oficial do Oscar, pois ganha-lo já é um sonho grande demais para nós. Novamente teremos um filme concorrendo principalmente devido a suas características políticas e sociais (será que é isso que o MinC entende por “cara de Oscar”?). Somos o Brasil da violência generalizada, o Brasil da pobreza, o Brasil da violência generalizada (de novo) e, agora, o Brasil onde o pobre e semi-analfabeto chegou ao poder – objetivamente falando, que fique claro. 

É por essas e outras que as eleições de melhores filmes feitas em mesa de bar são tão confiáveis quanto as realizadas pelos órgãos oficiais. Ou até mais, se considerarmos que algumas pessoas pelo menos se dão o trabalho de pelo menos elaborarem e exporem seus critérios para a decisão. 


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