Responsabilidade e mídia é sempre um tema bastante polêmico. Aqueles que têm na mídia um meio de sobrevivência sempre clamam por "liberdade de expressão", uma minoria intelectual faz um apelo rouco à responsabilidade que poucos conseguem ouvir.
Já estudei bastante sobre os meios de comunicação midiáticos tentando vislumbrar ao menos alguma sombra de ética e concluí que responsabilidade e comunicação são temas que, no Brasil, geralmente são tratados como se fossem díspares e inconciliáveis. Os nossos queridos comunicólogos (que, em sua maioria, comunicam muito pouco) berram aos quatro cantos toda vez que tentam impor medidas legais para acabar com a farra na mídia. Basta lembrar o 4o. Congresso Nacional de Publicidade, ocorrido em 2008, meses após a aprovação de um Projeto de Lei que visava restringir as publicidades infanto-juvenis, nos quais os publicitários (em sua maioria do alto escalão, afinal a entrada custava cerca de R$2000,00 (!)) colocavam:
“O IV Congresso denuncia e repudia: a) todas as iniciativas de censura à liberdade de expressão comercial, inclusive as bem intencionadas.”
Em outra carta, afirmavam:
“Criativa, Bonita, Responsável, Premiada, Alto astral, Inteligente, Livre, Moderna, Inspiradora... Foi assim, com liberdade para criar, que a publicidade brasileira se tornou conhecida no mundo inteiro. Agora, querem cortar as suas asas, como se ela fosse a culpada por tudo de ruim que acontece. Há no momento mais de 200 propostas no Congresso Nacional e outras em estudos na Anvisa para restringir a propaganda de bebidas, remédios, alimentos, refrigerantes, automóveis, produtos para crianças, entre outras. Tem sentido isso? A publicidade não causa obesidade, alcoolismo, acidentes domésticos ou de trânsito”.
Pois é, eles repudiam qualquer tentativa de censura, inclusive as bem-intencionadas, já que (segundo eles) a publicidade não causa os malefícios que inúmeras pesquisas nacionais e internacionais apontam. De fato, é difícil comprovar sem deixar qualquer sombra de dúvida o mal que as publicidades causam, mas convenhamos que é obvio que ela incita comportamentos indesejados (e indesejados por questões éticas universais e não um moralismo individual, diga-se de passagem). Mas me parece que somente se as publicidades (e os meios de comunicação como um todo) colocassem uma arma na mão de alguém e o obrigasse a atirar de tal forma que o deixasse sem alternativa eles se veriam como mandantes de um crime. Do contrário, estavam apenas apresentando um produto e suas utilidades. (Se bem que, mesmo que desses a arma e obrigassem a atirar talvez eles alegassem que o sujeito tinha escolha; ele poderia mirar errado, por exemplo.)
Se formos minimamente críticos com as mensagens que recebemos, veremos que inúmeras reportagens que saem nos jornais e na televisão sobre eventos criminosos contém informações totalmente imparciais. Está certo que a população tem o direito de se rebelar contra certos crimes e que em muitos deles a autoria e má-fé se mostram inegáveis logo numa primeira análise, mas um veículo de comunicação que se preze deveria agir com cautela ao veicular certas notícias. Vejamos, por exemplo, o caso do goleiro Bruno. Por diversas vezes me deparei com reportagens onde o advogado do goleiro e cia berrava que “Eliza era isso”, “Eliza era aquilo”, “ela está viva, vou provar para todo mundo isso”, “Bruno é 10”, etc., etc. Alguém tem dúvida que essa postura é para influenciar o júri? Alguém dúvida que algum dos 7 membros do júri já não soubesse os argumentos da defesa e esteja sendo influenciado a muito mais tempo pela defesa do que pela promotoria (que, por questões ética, não pode dar detalhes do seu trabalho)? Neste caso, a quem a mídia está servindo: ao povo ou aos supostos assassinos?
Mas tudo bem, porque, em todo caso, se você se sentir violado por uma publicidade há o CONAR, ao qual você pode fazer uma denúncia que o órgão averiguará a procedência e recomendará a alteração ou suspensão da veiculação da campanha. No caso de sentir-se violado por um jornal ou noticiário há o... (sei lá, mas deve existir algum... – ou não?) Mas aí cabe a pergunta: se recomendarem alteração ou suspensão após a exibição, o mal já não estaria feito?

Censurar publicidade eu até concordo. Os critérios são maii claros. Mas jornal não é o caso né. É muito sutil, o certo é ter um órgão auto-regulador, feito pela própria imprensa (ABI - Associação Brasileira de Imprensa?) para ditar boas normas, mas acho que nunca para censurar. O governo querer se meter a censurar a imprensa acaba mesmo tolhendo a liberdade de expressão.
ResponderExcluirE quanto a punições pelo uso irresponsável e a auto-correção obrigatória, com a mesma abrangência que a veiculação original?
ResponderExcluir