Depois de muita espera, finalmente foi lançada a continuação de Tropa de Elite. O filme, como não podia deixar de ser, é tão bom quanto o primeiro, se não ainda melhor. Tratando do combate a criminalidade, agora em outra esfera (a criminalidade promovida pelos próprios militares e políticos), o filme não deixa a desejar ao mostrar essa nova realidade de algumas comunidades. Além dessa mudança de perspectiva, cabe destacar também que o filme ganha um contraponto à visão “fascista” do Coronel Nascimento. Trata-se da visão do sociólogo e defensor dos direitos humanos, inclusive para os presidiários, Fraga. Cheio de ideologias e visões utópicas, é justamente Fraga que traz o pior argumento do filme. Logo na primeira cena, a fim de mostrar para seus alunos universitários que o sistema judiciário vem punindo e aplicando penas cada vez mais duras aos “cidadãos”, Fraga, auxiliado pela imagem do complexo penitenciário de Bangu, afirma que há tantos anos atrás, a população presidiária era tal, hoje, é tal, “se continuar crescendo nesse ritmo em 2050 toda a população brasileira viverá num condomínio chamado ‘Complexo penitenciário de Bangu’”.
Francamente.
O fictício e ilustre senhor Fraga, no mínimo, faltou com suas leituras literárias básicas, para não falar da total falta de bom senso. Machado de Assis, já no fim do século retrasado, nos ensinava em “O Alienista” que quando a loucura vira regra geral, são os sãos que vão para o confinamento. Seguindo a mesma lógica, o dia em que toda a sociedade for criminosa será o dia em que a bondade será recriminada, e não as sociopatias.
Isso para não falar na impossibilidade prática de se manter a população brasileira inteira dentro da prisão, uma vez que presos não geram a renda necessária para se manterem no presídio.
O argumento do Fraga é tão grotescamente errado que fico a pensar que só pode ter sido um erro proposital, para mostrar que, assim como o pessoal do BOPE é radical em sua agressividade na luta contra o crime organizado, os esquerdistas também são extremamente radicais ao defenderem seus pontos de vista, utilizando-se inclusive de grandes doses de manipulação de discurso e demagogia – e sem medo de beirar a irracionalidade completa.
É, o caminho do meio é sempre o mais difícil...
[...] os loucos agora são os leais, os justos, os honestos e imparciais. Dizia que se devia admitir como normal o desequilíbrio das faculdades e como patológico, o seu equilíbrio
(O alienista)
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