Sem dúvida, o filme mais aguardado do ano no Brasil. Com os prêmios de maior público de filme brasileiro do ano, maior público brasileiro do ano e o surpreendente título de maior bilheteria de filme brasileiro de todos os tempos, sendo a terceira maior bilheteria do Brasil, "Tropa de Elite" certamente tem méritos o suficiente para estar no topo da nossa lista.
O filme já chegou aos cinemas com o público ganho e provou ser merecidamente. Para começar, as atuações do filme são muito boas – não tão boas quanto as de Mo'Nique e Gabourey Sidibe em “Preciosa” , mas ainda assim são dignas de nota. O roteiro também é muito convincente e o enredo, é claro, ultra-atual para qualquer carioca.
Eu já fiz alguns comentários sobre o filme num post anterior, mas é claro que não esgotei as transversalidades do filme – e creio que dificilmente poderia fazê-lo. No entanto, não posso me abster de deixar aqui registradas opiniões que tenho há muito tempo e que são corroboradas pela história do filme e pela barbárie de novembro no Rio. Uma delas é: precisamos de uma reformulação urgente no sistema penal.
Precisamos de alterações no nosso código que punam mais severamente criminosos que praticam atos bárbaros como os que colocaram a cidade em estado de calamidade pública como os de novembro. Afinal (e só para começar), não é possível que um grupo de pessoas destrua um patrimônio público de mais de 100 mil reais e não seja obrigado a ressarcir o Estado – ou seja, a população, que pagou os altos impostos. Mas mais absurdo que isso é saber que, casos eles sejam condenados (o que, conhecendo a justiça brasileira, não pode ser encarado com alto grau de probabilidade), eles passarão alguns meses na cadeia, onde matarão guardas, farão rebeliões, queimarão colchões, às nossas custas. Não satisfeitos, eles ainda ganharam uma graninha enquanto estiverem lá, grana essa que supostamente serviria para ajudar a sustentar a família enquanto eles estiverem impedidos de trabalhar. Tudo isso, é claro, porque a prisão deveria ser lugar de ressocialização, depois passamos a encarar o fato de que ela servia mais para punição mesmo e no Brasil atualmente até esta serventia da prisão pode ser contestada. Pergunto: para os fins de punição, socialização e justiça social, não seria melhor que os presos trabalhassem, para se sustentarem, sustentarem as famílias, aprenderem um ofício e ressarcirem os cofres públicos?
Obviamente que só utilizar o isolamento como método de coação social não está funcionando, e um dos motivos para tanto, é claro, reside na impunidade dos criminosos. A polícia não tem meios suficientes para investigar satisfatoriamente os crimes, gerando relatórios falhos; o judiciário não tem pessoal o suficiente para analisar os casos, gerando uma lentidão que só favorece os criminosos. Além disso, temos a infinidade de recursos que podem ser impetrados em nome da presunção de inocência, do duplo grau de jurisdição e de alguns outros princípios dos quais – que fiquei claro – não discordo. Mas é claro que precisamos revê-los, para que eles não continuem sendo uma escapada da justiça. De repente deixando os inquéritos policiais e a o sistema judiciário mais eficientes já resolva 80% dos problemas, não sei. Mas certamente uma solução passa por aí.
Quero um "Tropa de Elite 3"! Agora que o capitão coronel Nascimento está em Brasília, quem sabe ele não consegue mudar isso? Diferentemente dos anteriores, esse será um "Tropa" utópico, com certeza. Mas às vezes é bom sonhar com o lugar que ao qual queremos chegar.



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